Responsabilidade Social e o marketing manipulador
Muitas empresas atualmente usam de Responsabilidade Social como principal ferramenta de marketing para ganhar novos clientes. Entre tanta concorrência, consultores e administradores afirmam que se importam com a sociedade e querem um mundo melhor. Convenhamos, o que eles querem é dinheiro no bolso. Vou revelar como funciona o cérebro de um empresário.
Ontem tivemos uma palestra em sala de aula com um consultor que falou sobre motivação e relacionamentos em empresas. Nós, alunos, começamos a pressionar ele com perguntas fortes quando citou sobre os benefícios da Responsabilidade Social para uma empresa. Nosso argumento era que isto é um marketing manipulador.
O início da guerra
“Por que uma empresa que se importa com o meio ambiente e com a comunidade precisa colocar no jornal uma notícia dizendo que arrecadou dinheiro para dar chocolates para crianças carentes na páscoa? Isto é manipular o povo a comprar com você”, disse meu colega. Concordo com ele.
Vou te uma pergunta: quando você dá um chocolate para sua namorada, por acaso você diz no final, “bem, eu te dei o chocolate, agora eu quero carinho”? Claro que não. Você faz aquilo sem esperar nada em troca. Óbvio, haverá reciprocidade, carinho, afeto, mas você não está forçando sua namorada a nada e nem comprando ela.
As empresas fazem justamente o oposto disso.
Fazer uma campanha contra a fome, e então ir para a mídia dizer “Eu fiz algo pela comunidade, eu sou melhor” é, não só no meu ponto de vista, mas de muitos, totalmente anti-ético.
Responsabilidade Social Correta
Então um colega meu comentou sobre uma empresa que leva comida para a população carente e faz questão de não se identificar. O consultor, que até então estava sendo atacado por todos, caiu em cima do meu colega. “Meu amigo, como você sabe disso? Aposto que alguém te contou. Isto é marketing, meu amigo, é marketing”, disse o consultor. De fato, é um boca-a-boca que acontece, mas é natural, você não está causando isto, você está simplesmente ajudando o próximo.
Se eu der um chocolate para minha namorada, é claro que ela vai ir nas amigas dela e dizer que tem um grande namorado e coisas do tipo, mas eu induzi isto? Não. O fato é que desencadeou uma situação natural, você não manipulou ninguém.
Quando um morador do seu bairro vai e tapa os buracos na sua rua ou conserta algo para a comunidade daquele local com as próprias mãos, todos vão ficar sabendo, pois foi algo bonito e agradável para as pessoas. Mas isto não é manipular. Manipular é você fazer algo de bom para alguém por puro interesse próprio.
O que pensam os empresários amiguinhos?
No final de tudo, o pessoal, exceto eu, chegou à conclusão de que é necessário usar destas ferramentas, mesmo que sendo anti-ético, para poder sobreviver no mercado.
Pois bem, revelo aqui em primeira mão como pensam os empresários e executivos: é necessário fazer qualquer coisa para sobreviver no mercado. Vale qualquer coisa para que seus funcionários trabalhem mais. Qualquer coisa para vender mais.
Hoje, já não existe a palavra funcionários, e sim colaboradores. Funcionários é muito “pejorativo”, os administradores preferem colaboradores, pois colaboradores são felizes e alegres com a empresa. E todo mundo cai feito patinho nesta. O salário é o mesmo, as condições são as mesmas, mas uma palavrinha diferente já deixa todo mundo feliz e trabalhando muito mais. Manipulação pura.
Se não é manipulação, deixo a pergunta: você trabalharia de graça? Nem eu.
Felicidades e alegrias e colaborações à parte, falta o mais importante: o salário.

8 de Março de 2008, 10:55 pm
Aproveito para perguntar:também existe a pequena questão dos impostos não é mesmo? Se as empresas recebem descontos por manterem atividades sociais…
10 de Março de 2008, 11:29 am
Natassia, existem diversas leis de incentivo fiscal. Doação para entidades sociais, incentivo aos esporte, cultura, tudo pode ser deduzido do imposto de renda em até 100%.
Não sei sobre pessoa física.